sábado, dezembro 31, 2005

Aqui está um novo blog. Novinho em folha, como perceberão. Serve para proteger este de uma forma e de um conteúdo demasiado maçudo, por vezes a seco, sem no entanto dele privar os potenciais interessados (e corajosos, dada a caligrafia). Enjoy (not).

Para quem gostar mais dos produtos caseiros do costume, abaixo deixei-vos três posts que eu tinha ali, mas que tenho tido essencialmente preguiça de postar ultimamente.

Bom e por fim... "Até uma próxima ocasião, estimado leitor! Volte sempre!"
De uma mera associação de timbres simpáticos no contexto simultâneo a uma explosão subalterna da mudança de energias, igualmente estática, transmitindo a sensação de prazer semiorgânico, de formas acentuadamente claras e inamovíveis, mas de uma textura sensorial misteriosamente agridoce, assim se constrói um momento natural, efémero, de densidade eterna.

sexta-feira, dezembro 30, 2005

De dia 26, à tarde:

Porquê escrever sofisticado
se somos todos
máquinas antigas e ultrapassadas?
Contentemo-nos com menosprezar
o nosso sentido crítico
e iludir a ilusão de estarmos perto
de um absoluto indefinível.
Se confinados à expressão,
queremos substitui-la
por aproximações expressivas
à realidade.
Deixemo-nos disso.
Absolvamo-nos de uma tentação inútil
e cedamos à tentação inicial,
banal
mas intrinsecamente resplandescente
de um brilho comum
que alivia.

Mas porque carga de água estou a escrever em verso??
...
...
Porque carga de água estou a escrever?
Da madrugada de dia 19:

black fucking metal

the obsolete turns to vomit
night sprays over my head the darkest, strangest, foreign sounds of recapitulation
overly sensible
too much for one's mist and sweetness

words can be, simply

they need not cry intention
just pointless drama

who understands life better than the dead?
surely not you, boys and girls
who seek reaffirmation in social grandeur.

open your wounds and dive into them

remember nothing
- remember yourself

be, without
always lone,
always the same ill structure pointing towards the unsolvable

other heads could change my world
but i cannot change the other heads

oh, fuck it
Da tarde de dia 18:

Quero sair daqui mas não quero sair daqui.
Apaziguem-me, fodasse.
Quer dizer...

Mas quem são vocês?!??

Tenho de sair daqui depressa.
Depressa, depressa.
Depressa, depressa, depressa!
DEPRESSA,

antes que me assolem a alma prisões perpétuas. Saber esperar é ir ao encontro da fuga, por vezes. Ficar num parado que esconde a maior das azáfamas sem finalidade é o gerador de todo um desconexo no gesticular cognitivo.

Mas enfim, isto da irrequietude é uma velha história e é o menos. A facilidade com que me privo desta é mínima, comparada com a dificuldade em esquivar-me às opressivas investidas da imaginação e recriação de um alheio destrutivo e inflexível.

Por isso, devo evitar estabelecer que evito. Evitar os escapes que não as palavras, por mais difíceis ou vagas, verdadeiras. Saber portanto esperar, mas nunca por nada em especial, que não a oportunidade de deixar de esperar.

Discernir o apropriado nas condutas possíveis, enfim, teoretizações pouco úteis num fim-de-tarde crescente. Já pouco de arte... E não vejam revelações propriamente ditas, onde estão apenas explícitos alguns passos a dar neste ponto do caminho para alcançar uma espécie de coexistência com as ditas, ao nível da simbiose de pontualidades.

Saiba-se esperar, pois este significado para já são letras de ócio.
Penso que, se eu o tivesse querido, poderia vir a ser um poeta. Da mesma forma que já pude vir a ser guitarrista. E seria um bom poeta, e seria um bom guitarrista. Não tenho sombra de dúvidas. Leia-se orgulho, leia-se especulação optimista, de qualquer forma o facto é que não me imagino nem uma coisa nem outra. Transporte-se isto para o resto, e não me imagino. De qualquer forma, não é importante que nos imaginemos, não são importantes as ambições. É importante, isso sim, encontrar a medida certa de certas coisas. Actualmente, a minha é a de improvisar alguns versos de maturidade dúbia, esboçar passos incertos em estradas de pedra ou madeira, ou um qualquer material inorgânico, olhar o mundo e as pessoas sempre que possível, em vaga simbiose saudável, a meia-distância. A medida certa, actualmente, não é a medida cheia. É o mais que consegui enchê-la. Não espero mais do mundo que um espaço. De mim, espero não vazar de arte e de emoções demasiado cedo. É uma espera orientada ao momento, isto enquanto, nas carruagens, os fiscais da limitação se atrasam. Uns físicos, outros sociais, uns que extenuam, outros que hostilizam passivamente, por descrédito e marginalização. Leituras fáceis, escritas difíceis, um papel convulso, ora múltiplo, ora nulo.

Tenho escrito algumas reflexões, nas horas em que algo obriga ao desabafo ou à descompressão do vácuo. Mas não me vou pôr a atafulhar o blog com um chorrilho de realidade abstraída e pessoal, demasiado para manter o interesse. Recapitular metas pessoais será mais um exercício de sanidade que um post, penso. Talvez abra um blog com uma compilação de alguns devaneios intra-psique, com alguns exercícios de retórica localizada, em tema. Mas aqui não... não quero perder os leitores que não tenho! :D Embora me preocupe que isto possa ser filtragem de posts, coisa que eu nunca fiz. Não quero mesmo entrar por aí. Sempre mantive isto como uma resposta espontânea e heterogénea à escrita. No entanto, mesmo pôndo as referidas filosofias eremíticas à parte, já deixei ali 3 cenas por postar. Raios, cuidado com o zelo de pseudo-integridades. Esses caminhos são o princípio do fim. Tou farto de saber isso.

Ora essa... estes dilemas... mas alguém quer saber disto pra alguma coisa?!
Nunca mais chega o horizonte.
Estático e pesado como um rinoceronte,
encaro a paisagem impaciente.
O pensamento dormente
extingue-se às manadas
de migrações algemadas.
Sinto o tempo em deslocação absorto,
e a inspiração é a de um morto.
Por fim, dá-se um transbordo
sob a forma de sangue no bordo
das esporas. Um frémito galopante,
e tudo é bonito durante este espasmo de instante.
Em redor, as caras passam em turbilhão sem amor.
A alegria (e tudo) perde de ser a razão. Sobra dor.

Sobra também, ímpar, o horizonte.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Incógnita


Quem és tu, imaginação na bruma
que se adensa insólita,
incómoda e imprescindível,

sob a forma de qualquer uma
que os meus segredos cita
com o seu olhar intangível?

Quem és tu? Uma mulher?
Um impulso? Uma miragem?
O pó das memórias? Emoção?

Não sei. Mas queria saber,
agarrar-te o pulso, ver-te paisagem,
contar-te mil histórias com a mão.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Semi-canto


Na cúpula dos Pensamentos
nova metáfora vazia
ecoa e subsidia
a ilusão de que não há tormentos.

Sereno então os Sentimentos.
Por fim a alma canta,
esvai-se a dor de garganta,
esvaem-se até os tormentos.

Porém, como todos os Momentos,
também este se esgota.
Fica a meio som a nota

da música principiada.
A acústica é constipada,
aqui na cúpula dos Tormentos.

domingo, dezembro 18, 2005

Redescoberta convicta


Fiz mais uma descoberta -
aquilo que eu já sabia
nesta tarde aberta
a reflexões e à maresia

de quando se abandona
as vagas de delinquência
dos impulsos à tona
de viver em intermitência

num mundo por colorir
para lá do imaginativo
cavaleiro até cair
dado o freio lascivo

que impede de viver
galopante na planície
de ventos a arrefecer
a espiritual imúndicie

de quando somos externos
ao nosso próprio calor
e aos nossos passos internos
com medo do sangue da dor.

Descobri, uma vez mais,
e sempre mais que nos outroras,
que a convicção são pardais
que tentam cantar contra as horas.
Escudo contra a despersonificação


Do alto do fosso existencial
fitas-me com uma lupa invertida
e gritas com o teu silêncio
a indiferença.

O modo das coisas
morre em ti
antes sequer de te alcançar,
à distância.

Visões góticas
perpassam pela noite escura
de ausência sombria
e germinam calos no andar.

Polvilhas-me com o pó
das emoções por fulminar
e sufoco o pistoleiro
num veludo fino grosso.

Ando, ando, ando,
circulo
em rotundas desencaminhadas
numa espiral inútil.

Tudo porque,
do alto do fosso existencial,
vês um mapa desfocado
que te ludibria a transparência

e te impede de ver
o amalgamar das fronteiras,
ao invés de linhas finas
e vazias.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Tenho voltado a tomar a decisão de sentir,
em antevisões de mágoa a sacudir
a minha débil existência por decidir.

Em transparência, atravesso a mão
do futuro a agarrar-me com o seu Não
e alcanço, desaparecido, a desilusão.

Ressurge, imposta em desmotivação, nova vontade
de envolver o velho manto em realidade,
desnudando a coxa ferida de ansiedade

que me impele manco ao retrocesso
até à divisão selada, onde ingresso
numa outra encruzilhada, sempre em excesso.

domingo, dezembro 11, 2005

Um dos momentos mais fortes da história do cinema... Diálogo que se desenrola entre Conan e o seu companheiro de viagem e de destino.


(Um sorriso de nostalgia infantil invade o guerreiro.)

Conan: "I remember days like this when my father took me into the forest. We ate wild blueberries. More than twenty years ago. I was just a boy of four or five. The leaves were so dark and green then! The grass smelled sweet with the spring wind."

(Curta pausa. Retoma as suas lembranças, agora angustiadas.)

"Almost twenty years of pitiless combat! No rest! No sleep like other men!" (Esvai-se o tom de fúria.) "Ahh... and yet the spring wind blows, Subotai. Have you ever felt such a wind?"

Subotai: "They blow where I live too... in the North of every mans heart."

Conan: "It's never too late Subotai..."

Subotai: "No. It would only lead me back here another day... in even worse company!"

(Pausa fatídica.)

Conan: "For us, there is no spring. Just the wind that smells fresh before the storm..."

sexta-feira, dezembro 09, 2005

"o caminho da sanidade", percorrem eles,
frases com voz e medida.
vestem-se sonhos de inverno
e abusa-se deles.
nos corredores estreitos amplifica-se o volume,
alarga-se a passagem.
escuras ruas pintadas
nascem sob os pés sem sonho.
pontapeiam-se os lugares mais comuns
num futebol amigável à distância.
esclarecem-se esperas mentirosas,
imensas e presentes.
dormita-se por baixo
numa divisão comprimida sem cantinho.
chega-se a casa, e fez-se isto e aquilo,
e rectifica-se a moldura,
e diz-se "ah, eu sou isto,
faço certas coisas
para satisfazer o meu lado assado,
mas sem esquecer aquele coiso importante.
então não é?"

as esculturas no pedestal caído de nascença.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Preciso de palpitar
em tom irreflectido,
as pálpebras por levantar
em sinal de descrença.

Preciso de realidades.
Explorar-me via alguéns,
especialmente hoje,
pelo menos enquanto escape.

Nunca estive a falar de sexo.
Isso paga-se sem complexo,
e faz-se sem preconceito.
O que me dava mesmo jeito

eram componentes expressivas
das que entre pessoas se avivam,
principais e libertadoras
de mensagens invísiveis.

De resto, está um nevoeiro
para além disto,
e tapadas estão as medidas
do importante, para além disto.

É natural.
O dia nunca é global.
A perspectiva só cabe num dia,
fica restrita ao banal.

Sei só que não se trata
de nada demasiado simples,
nem demasiado complicado,
mas sim de uma intangibilidade

irritantemente sempre ao alcance.
Mas destas irreflexões pouco se tira,
principalmente com cabeças pessoais
e intransmissíveis, que só são aquilo que são.

Disto se tira talvez,
em clave de fórmulas,
a insistência em ineficácias,
se assim se quiser, ou então

o pergaminho amarelecido
pela prosaicidade que cabe
em papéis, mas não em existências,
defensivas portanto, justificações.

Nada disto é verdade. Se a quiserem aceitar,
a única verdade é a falta de algo
conjugada com uma leve insónia
dispersa em papel vagamente confirmado.
noite com bolor

o naufrágio cerebral
de palavras sempre iguais
os momentos desiludidos
a corrida de barreiras
o sono doente
rancor hiperdepressivo

pequenos momentos diferentes
e tudo teria sido diferente
a partir do abstinente
culpado

mas não faz mal
espera-se recicla-se

quarta-feira, novembro 30, 2005

Hoje é (diziam eles na televisão) uma data "especial". Informem-se ou deduzam o porquê, pois serviu também de mote para este texto:


Ausência de dedicatória

Dorme descansado,
pois não te encobrirei com um manto devoto
de aborrecido reconhecimento.
Não renunciarei à autonomia deste meu acto de escrita,
idêntica a todas as outras autonomias
que tanto prezo.
Continuarei a escrever serenamente
e tu continuarás a dormir,
não no falso túmulo palaciano de lembrança documentada,
à janela de um distinto segundo andar,
nem no túmulo de madeira dura, banalmente,
num indistinto Mosteiro importante.
Estarás em lugar nenhum, evidentemente,
e eu estarei aqui,
neste lugar que não é propriamente nenhum,
mas que facilmente passa por tal;
daqui me dobro sobre a tecnologia
numa ocasião marcada pelo acaso
relativamente raro,
para te pedir que, de todos esses sítios
onde tu não estás,
te recolhas por meio instante,
o suficiente para que retornes ao patamar inferior
da escadaria de um só sentido
e albergues fictício
este desalojado sentimento de fraternidade
entre uma pessoa que não sabe escrever
e uma outra, esta de nome,
que se escreveu e se soube
como nenhuma outra.
Sossega, pois como te digo,
não te despertarei de onde não podes acordar
para te imolar com tortuosas cópias
de estruturas adulteradas
em parvoíce fanática de quem nunca fui
nem compreendi,
nem pretendi compreender ou ser.
Só estendi os braços, do alto
de um túmulo palaciano de verdade documentada
pela Física,
se a aceitarmos como a linha fina
que arranca impiedosamente o conceito de realidade
às subtis garras do abstracto,
e assim o demarca do seu simétrico,
para deste sítio que é tudo menos um Mosteiro
em termos de alma,
acenar a uma pessoa como as demais,
passageiro,
e a seguir aconchegar o cobertor que me demarca as pernas
deste rigor de quando se acerca Dezembro
pouco sorrateiramente.
O mesmo Dezembro que me aparta
da pessoa que foste, como todas as outras,
e que decidiu deixar à parte
uma falsa identidade, pois está escrita,
para advertida ou inadvertidamente inspirares
não a escrita,
mas a noção inviolável e palaciana de que,
para lá da realidade difusa e abstracta
está um lugar nenhum de pessoas
avassaladoramente iguais a todas as outras.
Concretos em mil e um sonhos,
pretenciosos em mil e uma opiniões,
somos todos o homem que, do alto do seu palácio tumular,
vê passar um barco sob o fumo do Tejo
para se pintar em hipotéticas palavras,
argumentos,
murros,
pontapés,
acções,
desilusões
e pensamentos apenas,
passando fluvialmente sob o fumo de um cigarro,
sob o ponto de vista de outra pessoa qualquer
que pode nem existir fora da nossa cabeça.
Não podem sobrar dúvidas
após estes anos de existências,
historiadores,
sociólogos,
entertainers
e de namoros em parques,
que tirando esta construção
de amores, personalidades, e histórias de vida,
nada sobra.
Seremos pois todos, como tu terás sido,
ou como pelo menos te atribuo teres sido
(mas é o suficiente para o seres
neste dia falso, em que é quase Dezembro) -
uma Mensagem por passar.
Acredito pois piamente
que não receberias a minha Mensagem
incontornável,
pelo que me privo de aborrecida gratidão
ou de uma dedicatória inútil,
e, na medida do possível,
de estranhas conversas metafísicas
e cadavéricas.
Continuarás sossegado no teu sono
de prosa vazia,
que preenche hoje a poesia desassossegada
de um outrora inqualificável,
e eu sossegarei parcialmente
esta minha Mensagem, que não está na ponta dos dedos,
nem no coração,
nem em qualquer outra parte
que não as tocas onde se aninham as confusas vontades,
os sempre actuais intervalos dos intervalos,
enquanto te imagino a sorrires, categórico,
face a qualquer incutida grandiosidade inconsciente,
que somente merecerias
num mundo em que, em vez da Física,
existisse a grandiosidade como forma de distinção.
Sorririas pragmático, sarcástico talvez,
e mergulharias noutros devaneios atípicos
até passar o próximo Esteves.
Não o farás, e provavelmente nem o farias...
a não ser aqui, referencialmente.
Hmmmm
Vou mudar de opinião, bruscamente.
Afinal fá-lo-ás, neste actualmente.
Não tu, que dormes em vácuo,
mas o outro tu, o único -
o imaginário de milhares de pessoas
como tantas outras.

segunda-feira, novembro 28, 2005

Boas.

Hoje idióticamente banal.

Desperspectivado.

O sempre que volta e renega o efectivo.

E em redor, meandros de gente que se escreve e requinta igual, com convicção comportamental instantânea, destruindo ameaças de inadvertida realidade e denegrindo as cores dos casebres alheios e espíritos independentes.

E sorrisos que se fecham, por túneis de ecos assustados. Condecorações de abstinência verbalizada em faces comuns, desfiguradas e invísiveis no mundo contrário por imaginar. Clara e apressada incompreensão fulgurante, asmática no refutar da doença.

Por tradições redescobertas farsas, nado em contra-corrente evitando redimir-me de religiões livres, em verdade. Evitando vangloriar por força de agregados, evitando empalhar a presença, evitando recair no terramoto mentiroso.

Sem empunhar parâmetros de condição quantitativa, referi-os após mais um desenlace. A partilha pontual, com a ressalva de o ser. Sem presságios nem intuitos de Lei.

Ainda, algum receio, alguma lágrima, pelo que rompe, pelo que escorre, pelo que a Natureza não se inibe de vetar. O sangue nas veias por envenenar dócil. O desterro de ideias, tragédias periódicas na transpiração de células a pouco desporto.

O multicolor a cinzento.

Contracção determinante e afónica de noções de mal denso, com a ligeireza que esperneia em torno do abraço indesejável.

Chamem-se-lhe nomes grandes.. Pompeia, demência, inspiração lunar..

O chamamento - a arma do povo cantante.

E mais restos. E mais réstias - ou ainda me vão culpar de sexismo.

Ena. Até humor escolar já aqui faço. :D Qualquer dia, letras de mariah carey, e todo um universo pintado.

Agora claro, há que acabar com isto, em desarmonia, em tons de bah. Tem de ser. Vão-se foder se repudiam aquilo que não sabem. Vão-se foder se não querem saber de mais uma página bolorenta, de mais uma crónica de escura arte diluída em decepção, de enganadoras montras de aversão se vistas como tal - vão-se foder se não estão dispostos ao Erro.

Vão-se foder, e fiquem bem.

Eu vou fazer o que prometi. Tapar esta garrafa destilada de leitores quase palpáveis, incómodamente quase. Varrer um soalho incómodamente pegajoso de pervasividade feminina. Repetir o sono que amansa os muros. Roncar inconsciência até ao mais sagrado décibel. Entoar valas de incontinência enquanto trincheirados se preparam os lugares-comuns. E aos poucos, ganham terreno...

Qualquer dia serei vencido, e então cederei. Trabalharei dobrado para eles, viverei e conviverei como eles, serei um deles. Mas continuo a lutar e a lutar. Em escassez de armas, de forças, de alternativas capazes. Tenho-me a mim, e à liberdade de lutar. Anos a fio.

Enquanto se desenham pinturas rupestres em posts de pulsantes exageros caricaturas, soa a velha máxima, por ínfima que seja - a esperança é a última a morrer.

domingo, novembro 06, 2005

A magia de um acorde solto crepuscular encerra todo o drama metamórfico da humanidade. Toda a concepção imesurável é sugerida, toda a definição está polvilhada de um acompanhamento ébrio, mais fino que o do ar, e conducente da extensão global, caótica, profana, sensível, promissora, sedutora, um vácuo magnético fundido com o encurtar das distâncias. O mote é simples, como uma válvula, e os pensamentos nascem precipitados, numa escadaria sem topo. Trepam-se degraus sem unicidade, mal conexos, pouco ou nada sólidos, em imensidão. Constroem-se algumas palavras que fragmentam a hipotética longínqua frase em vidro. Entretém-se camadas de carnaval com máscaras de rotatividade incontornável. Abana-se o leque da fornalha universal e sopram-se reparos à cascata implosiva. Desvanecem-se os objectivos quaisquer num impressionismo em dominó aleatório. Faz-se. Arrastos convulsos. Zombies. Berros ocos, distâncias surdas, fonemas loucos. bzbzbzbzbzbzbzbzbzbzbzbzzbzbzbz

quarta-feira, outubro 26, 2005

Todos convictos de qualquer.
Sem mínimo.
Gota na testa, pensante, a escorrer.
Luzes turbulentas.
Um semáforo triste.
Turbilhão de vozes serenas de imposição rompante.
Fragmentar ineficácia e estilhaços.
Vidros de sangue pulsante.
Morno dia decai.
Decair de mãos pouco dadas.
Significados transformados em ausências.
Pisa-se forçosamente.
E repisa-se.

Os mais indistintos momentos podem transformar-se em cantinhos de páginas a lamber sem fôlego.

sábado, outubro 22, 2005

O peso da conotação esmagadora dos tempos idos, desaparecidos num recôndito suspiro de pouco alívio. O peso da conotação suada de quando a toda a energia se esgotou o empurrar as muralhas do castelo invisível, para de desidratadas ideias e convicções se reter a exaustão num desistente tornado de paralisia. O peso da conotação mórbida dos passos mudos, ocos, desistentes, pelos fantasmagóricos corredores. Passos pesados de morte sem conotação.
Acordo no lar casulo e recupero o torpe narcisismo típico da larva. Deixo um rasto de grude pegajosa pelos instantes percorridos enquanto me arrasto circularmente pelos seus confins vazios. Nutro-me de ligeiros aconchegos, de temperatura, de harmonia, de semi-sonhos. Transcrevo-me desalojado de divisão exterior esquecida e cubro a percepção com esta mole carícia finita de ócio vendado. Evito a divisão interior esquecida e infinita.

Acordo no lar casulo enquanto evito acordar.
Módulos de satisfação redespertam módulos de insatisfação, descomprime-se o almirante do barco sem mar, vira-se a página para se reler um branco interrogação, e as feridas tremem, perante a vontade de abrir e fugir ao caos de ambiguidades. Senta-se sempre a crítica, na cadeira que nos esquecemos de arrumar. Vem sempre o vento bafejante de carícias cortantes de gélidas. Na garrafa, a mensagem perdida. Dissipada. Tinta invisível em mares sem almirante em suficiência. Grandes arpoadas de Natureza quinam sem determinismo. Ondulação.

Calmaria. Um ontem que é hoje, na visita ao contemplar. O brinquedinho infantil de neve e vidro, que alguém parou de agitar. Escala-se o abismo sem pressa, e recupera-se um esconderijo escuro. Cláusulas de expressão nocturna redefinem o tratado da paciência. Mãos dadas com o ar, sem procurar tactear. Expressionismo apaziguado. Por quanto tempo?

As buscas animalescas lá fora, na vegetação selvagem, em rodopio de passados-presentes. Um pião de confronto. E todo este tempo perdido, sou eu.
E a facilidade com que por aí se pega em formatos pré-concebidos, socialmente ergonómicos, de design manchado pelo estereótipo tradicional e conclusivamente limitado. Assolam-se terras, planetas inteiros, de uma doença leve mas condicionante, uma constipação da visão além-corpos e métodos rotineiros. Despromove-se a reflexão numa dança que guia os passos solitários, esquecidos das asas metafísicas. Despromove-se a riqueza em todo o seu infinito reluzente, e sucedem-se gritos de guerra, gargantas sem rumo, colunas estereofónicas sem vontade própria.

Obedece-se. Uns aos outros.

Apetece-me fechar os olhos com pálpebras de verdade e injectar várias doses de mim mesmo. E ouvir para lá desta cacofonia. E sonhar para lá deste pesadelo. E viver para lá desta morte.

domingo, outubro 09, 2005

Cuidado com:

Aquele procurar incessante, com olhos de um condor de fome desértica emparedado pela planície.
Aquele chupar diário da mesma fruta, alvejando as brechas do caroço enorme.
Aquele agarrar à corda que queima enquanto não se evita, apenas abranda, a descida pelo abismo.
Aquele suspirar um insuficiente "enfim", de quem reencontrou, atrás do sofá, uma pecinha do puzzle.
Aquele viciar nas pausas dos esforços, enquanto se compilam fragmentos de fadiga.

sábado, outubro 08, 2005

Visita a memórias do genérico.

Muitas letras perfeitas em torno, orbitais novelas de um mundo escondido nos outrém. As teias de uma rede vital apaixonante, tão mentirosa áspera quão estupidamente graciosa avassaladora, uma rede sem ausência, só buracos de espreitar. Buraquinhos funis de lavagem à alma sem piedade, fuzis execuções do castrante, em bang bang's não surdina.

É só uma vontade de poder ser chato no enquanto. Permitir-me o ímpeto mundano real, em medidas poucas, na progressão pouco estrita. A fase de Renascimento, desde pequenas a grandes minúcias comportamentos opções.

O âmbito dos durantes, muitos bah's, virar o disco. Um sono tortuoso a pingar as pautas. O aborrecimento na mensagem aborrecida de opostos. A brisa a reler-me incómoda.

Já não sei há quanto tempo milenar virei as páginas por escrever.
Enquanto. Desdobram-se as vertentes múltiplas unas, poucas de tamanho. Precisa-se a informação inqualificável, em estéticas. Mapeia-se de mundos para mundos, na função apenas. Pavoneiam-se fragmentos da arte nunca. Quando a agitação subtrai o nexo. Frémitos infiltrados num controle necessário. Estabilidade de prelúdios, abstraídos de ritmos coisas gritos. Labaredas pendentes no infernal próximo. Uma cidade em chamas por pisar, o momento eterno sufocado, passo a passo, fuga a fuga, o olhar atento do contínuo no jardim despovoado, um limite de raízes. O limite.
A exploração da banalidade. Infernos sem esforço. Gatos pingados cinzas. Gota queimada e felina, sórdida sem patamares - só mistério a nú e quente.

Apaguem a vela que dói.. Murmurem patamares de ilusão fácil. Escale-se a nem por isso subida com meias de desterro degredo. Derrame-se um suor sem queixa.

Construam-se artimanhas, por um Algo superior sem existência, física ou outra. Descredibilizemos o sentido. Amemos frígidos. Raspemos as lascas ceras escamas peles.

Banalizemos a exploração. Esforcemo-nos infernalmente. Caiamos lá do alto, em fila americana. O abismo estético sem pára-quedas. Um caixão final com entradas de ar.

A piada sem sarcasmo.
A foda sem orgasmo.
A vida sem marasmo.
Uma morte enquanto pasmo.
Relembrar.
Olhar saciar em volta sôfrega.
Puxar a perspectiva com um guindaste fracasso impaciência.
Opção sempre esquecida imponderada.
Esquecer.
(tentar)

Devia experimentar engolir umas vertigens. Seriamente planar refeito sorriso auto-alimento.
Escondam as vossas, redondezas... :) No típico pormenor organizado ou não de lavatório, à mão óbvia.

Refaçamos um mundo vago, interrompido, suíço esburacado vómito.

Degenerativos sem neuro-fantástico du monde, unissons-nous.

A Revolução, ao virar da esquina portal...

...se ela chegar entrementes, cancela-se o relógio e quiçá se mude de estado.

quinta-feira, outubro 06, 2005

A fenda que se abriu no ocupado espaço vazio, projectando filmes sem metragem.

Benvindos.

domingo, outubro 02, 2005

Lá fora a guerra sem cessar, fogo morteiro ferida grave.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido único.
Aguardo o vácuo em vácuo pouco ideal.
De ideias transformadas em impulsos, gota a gota.
Torneira que escorre em ideias. Desertos numa miragem canalização.

Lá fora a paz agressão contraste mágoa indolor.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido único.
A produção extensiva em cadeados encadeados.
Voz letreiro virgem de nota timbre voz.
Palmilhado pé pela areia a fervilhar. Escorre a queimadura sem sangue.

Lá fora a imóvel confusão expectante, despachos risos brutos tristes.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido único.
Um céu pintura na terra a olho.
Uma orientação no véu repulsa narcisismo extremismo.
Um Islão de alma húmida encharcada. Escorre um ego constipado.

Lá fora o vento. O mar, o fogo. A insignificância escondida.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido único.
O ar respiração proeminente elementar insignificante.
Os lugares-comuns afogados ardentes.
Escorrem noções estéreis de imaginação. Sem-abrigos num sexo lençol cobertor.

Lá fora, tudo nada insignificante.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido insignificante.
Amainar insignificante, resfolegar insignificante,
animar insignificante, deprimir insignificante,
por fora insignificante por dentro. Escorre insignificante.

Lá fora por dentro por fora,
tintas órgãos tintas,
tendas corpos tendas,
vidas mortes vidas.
Cá dentro, uma janela aberta em sentido fechado.
E impedir que os atalhos se tomem, quando se está a varrer as ruas da cidade fantasma que nasce do aborto passeio em pés tortos tropeçados. As fragilidades, bonitas malditas.
Eu digo para além do meu além, mas nunca chego ao aqui.

Que aborrecimento de posts, mas querem o quê? Deixem-me foda-se, ninguém vos convidou. Deixem-me.

Revisitado casebre paranóico, céu de palha, madeira em vez de janela, mas sempre uma escassa memória aos traços miligramas poeira, um sempre cada vez mais perfeito. Dissertar instantâneo. Antevisão de um passado vindouro, revisão da metafísica, anos-luz ciclicamente. Atrás dos traços um papel por entre. Superfície pigmentada lisa e atrás. Raros eternos bons.

Não esquecer, não esquecer de rasgar o ar à volta e deslizar no papel por baixo escorrega bom charco mãe protectora de protecção risco feixe ácido corroente poluente.

Não esquecer, esquecer, esquecer, esquecer. Não esquecer, esquecer esquecer.
Esquecer esquecer esquecer.

Não evitar. Evitar evitar evitar.
O sagrado sacral desproporcionado aglomerado em mentiras de superficíes ao contrário.

Cá em baixo, a lua avessa. A finalidade sem. O brilho não.

A escuridão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão ão

sexta-feira, setembro 30, 2005

O meu surrealismo ocupa-se de não me realizar.
Ocupo-me de negação.
Estendo-me na prancha de tubarões afiados, e olho um sol escuro por dentro.
Inaudível, impalpável. Intudo.

Falo de dias gerais, outra vez.

Porquê falar todas as vezes em particular de dias? Porque eles não falam de mim. Reciprocidade sazonalmente soalheira e sempre falsa, de escuridão.. Este falar é escuridão porque não é falar. O outro é escuridão por nunca ser.

Mas agora com uma distância tumular pacífica. Um mundo dentro do transparente por fora, cintilante universal. Aromático vazio nariz. Um entupido muito mais desengasgado inestático estético. Profetas cegos, divinos como a Lei manda. Regimento por redigir, encarnado morto, cá. Claro.

Escuridão pacífica oceânica elementar a olho nú. O desfoque do enfoque escuro, sublime vaga neutra nula desazulada contemporânea intemporal escuridão.

Aquilo que está por conter. Criança num parto mudo pardo por rebentar. Adocicado espesso amargo sem chocolate. O vice da conversa, o verso, a alma, sangue. Sangue. Sangue. Sangue. Transparente. Sempre, tudo, e até inclusive.

Por causa das flores que não murcham nem desabrocham, e ficam a olhar no canto de uma janela, transparente, duma estufa regelada de inadequação.

Tudo meramente escuridão pragmático. Quase escuridão sorridente. Uma escuridão sempre quase.

Quase.
Tactear sem ver a escuridão.
Quase.
Ver sem tactear a escuridão.
Quase.
Escuridão. Escuridão. Reflexo de escuridão no espelho escuro sem tema.

Uma folha escura sem página de escuridão.

Possuída quase. Possuam-me quase. Quase aqui, na escuridão.

domingo, setembro 11, 2005

Um patamar insólito abre-me a visão.
Avalanche de portas.
Um colchão:
Palavras, palavras, suspiros, escapes gelatinosos, e palavras, palavras.
Atrás de palavras, palavras.
A colherada, enquanto tremem felizes. Cintilantes no céu da boca do Inferno.
Do infernal... Geografias, para fora, xô xô, chicotada.
Queremos nhac nhac.
Preferimos todos ficar, fora de um "aqui".
Permanhecer pela alvorada nocturna invisível poeirenta.
Pó de ouro.
Algemas de ovo.


dedicado a Abade Fatia, um Pioneiro do impúdico equívoco sem margem de erro, um Mestre

quarta-feira, agosto 31, 2005

Merda.
Tudo errado.
Não devia estar aqui,
neste sítio.
Nesta pausa,
entrecortada pelos premeios da álgebra comunicativa sem equação.

Merda.
Tudo errado.
Não me devia deixar ir
para este
sítio nenhum
a descoberto. Deixar fugir a roupa nua e metafórica.

Enfim.
Vai-se estando.
Deixem-me aqui,
neste sítio.
Nesta pausa
reciclada.

À espera de seja o que for,
revivendo a espera anterior.

Imediatamente!
Ensaio sem subaquático


Preciso outra vez
de vinhos sem mente.
De banhos, tormentos,
do mergulho dormente
neste mar que tu lês.

Piscina que se sente
sem água - este mês
a conta é de duzentos
euros. Seca, como vês.
Mas segue-se em frente.

terça-feira, agosto 30, 2005

Things are just like that. And it's no use to move forward, please stay. Some fremit indulges us to cry the voices of quietness. Time to stay free. Pay no fee to the man in the borderline between lands of escape and nodding down. Believe and stay. Free you stay. Believe.
Always stay free. Believe.
Always stay. Free belief.

Faz-me vibrar.
Faz-me crescer.
Faz-me apagar.
Faz-me doer.
Faz-me agitar.
Faz-me sofrer.
Faz-me fazer.
Faz-me...
Sim, faz-me.

Desintegro-me numa falsa integridade sem objectivo.
Faz-me morrer.
Espero-me numa palpitação sem objectivo.
Faz-me explodir.
Sublinho-me espera sem objectivo.
Faz-me adoecer.
Desiludo-me de esperança sem objectivo.
Faz-me morrer.
Marco-me gado num abate sem objectivo.
Faz-me morrer.
Morro numa hesitação irreflectida da vida sem objectivo.
Faz-me morrer três, quatro, ipselon vezes.
Três, quatro, ipselon vezes sem objectivo.
Foca-me na cadavérica objectiva sem objectivo.
Faz-me apodrecer.
Faz-me renegar, vivo ou morto sem objectivo.
Término cadáver passante.
Luz da sombra da lua. Ilumino-me. Tudo menos tudo.
Faz-me ver cegar.
Faz-me ouvir ensurdecer.
Faz-me sem objectivo.
Faz-me ressoar, ressoar, ressoar, agarrar com força tudo menos tudo. Auricular desejo.
Tremores a ressoar, a ressoar, a ressoar, sem objectivo, a ressoar.
A ressoar.
Faz-me.
Faz-me.
Faz-me.
Faz-me.
Existo, Eu Existo, deus, Eu Existo. Espuma pastosa. Desejo engasgado em bocas de convulsão. Sórdida, atroz, funesta, espuma.
Ali, ali.
Faz-me espalhar-me.
Ali, ali, blblblblbl.
Faz-me doer-me, massacrar-me, existir-me, grrrrrrrrrrrrr, rosna amor comigo, rosna comigo feridas, sem objectivo rosnar.
Agarrem-me sopro de êxtase mau. Atmosfera regelada unívoca.
Faz-me zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
Faz-me zzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
Faz-me zzzzzzzzzzzzzzzz.
Faz-me zzzzzzzzzzz.
Faz-me zzzzzz.
Faz-me zzzz.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.
F a z.

sexta-feira, agosto 12, 2005

O confronto reprimido demarca o atravessar da fronteira. As vozes afiam-se, o crime cá dentro. A dor na luz, no passo e na posição fomenta mais confronto, agora sem um alguém implicado. A voz transforma-se numa bomba relógio de fragmentação de crença. Auto-confiança afundada num pesado silêncio oceânico.
Se ao menos a demência fosse cega e real.. sê-lo-ia cegamente...
A arte é real, mas preciso de o ouvir da boca do empírico, sem traições. E saber o que vem a seguir a cada momento de arte, não cortar o guião à tesourada silenciosa, só a parte que diz 'esgotante'. A arte pode até ser vazia, desde que se regenere num contínuo. Não é? Eu cá penso isso. É bom sabê-lo, gentes leitoras?
Já sei, vou criar um blog. Vou continuar a fazer coisas que já fiz, parando o relógio na ânsia de o fazer andar. A minha visão envolve vários frames de relógio por minuto, obsessão? Qual quê.. Essa agora, sem ironia, a sério. Ironia? Qual quê..
Cheiro os vários eu's crónicos, um a um, tentando-me lembrar do perfume sem cheiro. Nada. Às vezes treme-se mais, no frio da liberdade tão aqui mas tão ali. Outras respira-se menos asmáticamente. O céu abre-se em dois ou mais, e vinte e três mundos são eu. Nenhum é meu. Mas exploro, aproveito o enquanto da fresta. Os céus não se abrem assim sem mais nem menos. Prostitutas finas da criatividade.
Alguém que diga que sim? Alguém que diga que não... Alguém que o diga, alguém que diga respeito, alguém que tenha palavra. Sabedoria o suficiente, para não me saber. Sabe a pouco ao ego, enquanto brincam aos sociólogos obstinados, e por isso pouco sociólogos. Mas sociais, na sua delinquência da república ciêntifica, chove-lhes nos espíritos. E a chuva tolda, enquanto molda. Chuva de coisas, de gestos, do típico do atípico, e portanto coisas. Assim os molha a chuva. Um boneco de barro, perfeito ou não, será sempre de barro. Que chova ácida.
Introspecção forçada na sistemática do dia. As vantagens.. quando o forem.
Enfim.
O sabido boceja, cansado de si. Em alternativa, este blog meu: http://espectro-de-gente.blogspot.com

quarta-feira, agosto 10, 2005

A busca ondulada, o rompante confiante e algum sabor.
Obrigado, mente.
Mini-construções fazem o eu-dia.
Apreciação sem caos pretencioso.
Linhas desalinhadas para bem.
Assentemos pois sem pressa-disparate.
O suave.
Mãos sem pulso, braços sem ombro.
O respirar como coordenação.
O permitir do amanhã.
Vamos sem ir.
Vejamos sem olhar.
Sem artimanhas, no consoante da concepção.
Até um logo.

sábado, julho 30, 2005

Minimalista, a estética do mundo envolve-me num não-abraço. Aperta-me com o seu cinto de castidade mínimo. Revolve-me, num rodopio feito de tonturas. Oferece-me o vazio, em troca de desejos esvaídos no rio do pó da alma. Alguém sopra para o pó, e o vazio adensa-se, imaterial. Vento a passar no vazio, deslocações vazias no espaço da frustração invisível. Frustrações que passam como o vento, sem cortejo. Pequenas picadas de abelha, espigões inocentes mas afiados. Um irrequieto por sob uma língua saudosa, engolido em seco. Mudez. O único sabor, a repetição, a mesma. A novidade refugia-se atrás dos espinhos viris de um roseiral murcho.
Os espasmos de poesia, falsas mensagens na garrafa. Deprimente, o constatar do deprimente. A perturbadora estética de um suicídio abstracto, incompreensível. Perturbantes razões desnecessárias. A vontade de ninguém, a relva sem espinhos, de um verde enjoado. Longe na frase sem recursos estilísticos, de sonoridade afónica. A procura da deriva num mar estático de sonhos a seco. A inconclusividade do céu de nuvens indiferentes. Um parque sem infantilidade, de diversões com frio. Uma chama de calor extinto. A morte.


A morte,
a morte,
a morte,
a morte.

Cada vez mais,
a morte.
Caíndo a pique,
a morte.

quarta-feira, julho 27, 2005

Sabor a jazz


Sabor a jazz melancólico
invade o serão
e o quarto,
neste quarto
de hora. Dispersão.

Sabor a jazz, diabólico,
estica os minutos,
com o grude
que ilude
os meus eternos lutos.

Sabor a jazz pré-digerido
entope-me o organismo,
e regurgito
o velho mito
de que eu já nunca cismo.

Sabor a jazz. Bem definido,
quase perfeito,
o sem alento
do ritmo lento
de que é feito.

Sabor a jazz, redundante,
na noite já sem sabor
de tão mascada.
Serve de nada,
o paladar. Dissabor.

Sabor a jazz. Esgotante,
de tão real mas inerte.
Pouca a sorte,
na meia-morte
daqui. Vazio nos oferte

o sabor a jazz. Pesada
a escala da monotonia,
cujo compasso
veste um laço:
a desolação da harmonia.

De desilusões pejada,
permita-me a vida saborear
a dor que traz
todo este jazz.
Cismo que nela me hei-de contentar.
Estou farto do seco em tudo. Do stress secante, em tudo.. Farto, do stress que está em mim, e que eu procuro evitar, desviando-me. De tudo.
É um stress, o desviar-me de tudo. É uma seca, quando encontro um desvio e o sigo sem stresses.
E pelo meio? Uma identidade mal-parida, não tanto por encontrar, como por perder, por soltar..
Ando e respiro e ando, vejo, "olha, ando!", apago parte da sensação de apagado. Como o vento que sopra o pó de cima do baú de séculos e revela parte. Que haverá lá dentro? Pó? A madeira aparenta ser de qualidade. À sua maneira, como todas as madeiras, como todas as árvores.
Páro o cérebro, respiro e ando. Vejo, uma loja de animais. "Como não tenho asas, posso voar!" Só os elefantes não cabem em gaiolas, por isso são extintos. Um pouco de raiva contra a humanidade nunca matou.
Páro o cérebro, ando. Não vejo grande coisa. Para onde estou a ir?
Páro.
Páro o cérebro, respiro, ando. Um pequeno bah. Já não digo nada há tanto tempo. De que me serve o respirar, andar, respirar? Estou aqui, no stress de não ter stresses. No silêncio à mesma, essa ameaça de gaiola.
Páro o cérebro, ando. Vou ver se falo a alguém, então. Mas não vislumbro nenhuma rua por onde meter, nenhuma alma por conversar. De que me serve esta caminhada em frente, anti-desvios? Não será comportamento desviante?
Não.
Páro o cérebro, respiro, ando. Piso a rua. A única rua. Seja qual das ruas for, é a possível, a única.
Respiro. Ando. Vou. Com ir, sem ir, não importa. O importante são os pontos nos i's.
Vejo. Um muro. Qual é a moral disto? Não sei, mas o muro tem coisas imorais escritas. Numa escala de sorrisos, tem 0. Mas não por imorais o serem, bolas, não estou assim tão velho. Apenas pela clássica falta de inovação.
Vejo um restaurante chinês, agora sim, um 0.8. Porque faz lembrar as últimas de Alberto João Jardim. Um 1 ambulante.
No outro dia vi um 1.5. Em letras bem gordas, lia-se "NOTÁRIO: Pedro Rodrigues", à entrada de uns escritórios. Pensei no belo que seria, se alguém colasse um bocado de papel branco meticulosamente por sobre o N. E no dia seguinte, a maior parte dos colegas e restante gente do prédio não evitaria a gargalhada, mais ou menos discreta. E talvez até o próprio reagisse com uma indignação descontroladamente despropositada.
Páro as memórias. Respiro. É que isto não é um passeio.
Não ando.
Bocejo.
Fecho o post.

terça-feira, julho 26, 2005

Tudo é um bom mote


Tudo é um bom mote
para se querer poesia.
Basta escolher do lote
de coisas de um dia

e pedir uma emprestada
à realidade.
Bebê-la fria, bem gelada,
a verdade

líquida. O estômago
sem motes sorverá
o gélido âmago
do qual recriará

uma fotocópia fútil
e escura.
Pouco terá de útil
a candura

com que o fará, ou a
sólida dureza
do detalhe, da boa
análise, na mesa

as cartas. Pois
tudo se ultima
para depois,
no fim da rima,

se voltar à estaca
zero, ao dia sem poema.
E, forte ou fraca,
sobre alecrim ou alfazema,

a rima passada foi,
o verso vazio é.
Passou sem dizer "Oi",
pé ante pé ante pé.

Tudo é um bom mote
quando há falta de poesia.
Nada é um bom bote
quando está seca a ria.
Da madrugada passada.. (por isso, obviamente actual):


Na métrica do desencaixe


Por vezes, querer
sem disso esperar obter
mais que a vontade
implícita. Pois há-de

alguém compreender
o dito em sigilo?
Por vezes, esquecer
torna-se o asilo

possível. Pois há-de
servir a insistência
no que não foi (saudade,
ainda assim)? Dormência,

por vezes, semi-doença que
se instala. Pois há-de a mente
reflectir, quando sempre mente
no agir? Um passeio no parque

o bálsamo, por vezes.
Pois há-de haver remédio
para evitar o tédio
duma prisão? Por vezes,

tranquilidade nasce
do vento, do mar, da paz
que um olhar traz, se
na calma absorto. Apraz,

por fim, respirar. Sopra
a inspiração ao de leve, a cada
passo, novo andar. Oh, pra
quê bocejar? Mas junto à entrada

duma nova divisão, o inconstante
é sempre porteiro, e não obstante
a força de ser, frescura das criações,
inventa e impõe novas limitações.
De 3 de Abril, ainda bastante actual:


Nada retorna.
Células que se esvaem, e ainda uma mínima réstia de expectante.
A sombra de um gajo sombrio por cima da montanha, cuja escalada invertida faz estremecer.
Não se vêem caras, não se vêem mundos. Vê-se o mínimo, e alguns tudos pelo meio..
Ilusão.
Rasgo de confiança por uns intervalos afora até ao amanhã, que pode ser hoje, dia em que é inútil, porque sempre foi inútil.
Dia sem tempo.
Ficam os lugares comuns, para que não percam o comum que neles há, outro tanto de inútil.
As miragens que passaram. No desespero sabia-se a recta das coisas, com dor. No lume brando, era questão de procurar, sabendo os estados de espírito. Lidar pontualmente, mesmo com a visão desfocada de outrém, perfeitamente sabida e nem sequer um desafio. A visão que vão questionar, como sempre.
Mas hoje acabou. Retrocedo para o ninguém, pescador sem o dar conta da próxima pequena ilusão que o queira ser, para nela me aperceber novamente do perpétuo que não quero. E nela redespertar a semi-fúria de estar mal vivo, e me lembrar de mim mesmo, e se sobrar espaço, confiar no eu dos futuros breves, esmagar de leve a antecipação do indesejável. Mas sem exageros, a noção, sempre. Noção invísivel, mas pura.
Não é o mais fácil nem o mais difícil. É como se acorda.
Se me pudesses um dia entrar na cabeça e ver o que eu vejo. E sentir... Ias perceber tão bem, ias ver o quanto te enganas.

terça-feira, junho 14, 2005

Um génio, hoje, aqui. Hoje, acordei génio, aqui, de novo à beira de um alpendre na construção menos construtiva da estrada. Sou de novo um génio, não porque saiba bem ser génio, e não porque saiba mal. A genialidade não se questiona, apenas se finge questionar, é uma sua característica.
Acordei génio. Não que dormisse, contudo, só o génio é que dormia. Como todos sabem, ser génio implica qualquer coisa. Toda a gente sabe estas coisas, as "coisas que toda a gente sabe", o que é idiota, pois a genialidade não é um pote de barro numa montra. O que as pessoas sabem, é que há uma montra. Os mais consumistas vão às compras, os outros apenas olham, por vezes.
Talvez seja das horas que passam, sem identidade própria. Talvez o analista distante o saiba, de óculos que reflectem as coisas, mal as vendo. Ele sabê-lo-á com a simplicidade de quem não quer saber, até porque não existe, faz apenas parte da minha genialidade. Fruto das horas?
Hoje ordenho-me génio, para que amanhã o leite se esqueça num frigorífico qualquer. Hoje brinco sem magia às palavras mágicas da televisão, ou das televisões, para com isto demorar um pouco. A genialidade será mais que isto? Claro que não. Sinto-me o modelo de génio, que não sei definir ou comparar, por nunca ter lido demasiado. Sinto-me, aqui, claro, pois de facto, estou ali. Mas as horas, as horas impelem a segurar esta coleira do cão-génio, a empacotar mais um modo de ver uma coisa indefinível, e que podia bem ter permanecido como tal, uma projecção sem astros. Mas assim dá-me trabalho inútil, como todos os trabalhos dignos desse nome. É aliás o conceito de trabalho: inutilidade aplicada. Mas não aquele inútil a crú, mas sim o outro, o inútil entrecortado pelo som das teclas. O inútil som das teclas, a empacotar esta ténue mentira. Para que o pouco que teve de verdadeiro, que foi um pequeno instante, talvez nulo, se anule. Que seja algo, pois. Reconfortemo-nos no conceito de nulidade, pois esse é um conceito, e tem portanto conforto. Ou teve.
Distendem-se ex-bocados de pensamentos sucedâneos, perdendo-se a falsa genialidade de uma linha bem traçada, em prole da falsa genialidade das curvas aparentemente geniais.
Olhem só para mim. Um géniooo. Chamarei a isto colina, e vocês vergarão por um bocado as vossas costas erectas de vida, e subirão um pouco. Chamem-lhe demência. Qual demência? Hoje chama-se genialidade, também um mero nome, de resto. É giro, vir aqui dizer coisas, e tentar agarrar-me a uma audácia que mais não é que o analista de óculos, um personagem desenhado com pouca tinta. Como qualquer bom génio o desenharia.
Bah. A luz bate agora através da janela da esquerda. É genial, como ela se predispõe a atravessar janelas de vidro, transmutando-se, só porque estão no mesmo lado que ela, para depois brilhar um pouco. É incrível, a forma como a luz atravessa vidros e brilha.
É bom brincar aos moldes, com potes de barro, que não são a genialidade. Porque o barro, dura. E por instantes, não tenho de ter medo de me partir. Porque o barro só parte uma vez solidificado. E uma vez bem distinto da mão.
Não que as horas tenham desaparecido. Eu conto umas mil. É.
E impingir-vos uma mentira vagamente acreditada por mim, é pouco caixinha de surpresas. É mais gramofone, uma distracção com séculos, das que chiam enquanto tocam um disco quase sem distracção. Muito inútil, bolas, muito inútil. Bolas, muito inútil, bolas. Bolas, bolinhas, caem do céu. Haverá um estádio de futebol por perto? Mas sem aplausos? Duvido muito.
Porquê usar estas palavras?
Moldes.
Porquê fingir que constato coisas acerca da minha forma de agir no papel?
"Moldes".
BAH! Uma puta. Uma puta, sem sexo, e sem falta de sexo. Com falta de aspirina. O sexo é uma coisa que está por aí, e é indiferente em linhas de genialidade, isto é, em mais horas de inércia, em que só aquele disfarce sem motivação de expressar as próprias mentiras como se fossem verdades foi simples o suficiente. Apelos, existem, vários até. Mas a maior parte são mentiras, ou passam a ser, quando se passa do apelo para o concreto implícito que ilude. Se é que ilude, pois não chega a iludir. Chega só a parecer que vai iludir, e portanto resta a ilusão apregoada pela inércia. Porque os verdadeiros apelos, precisam de espaço, e não querem deixar as mentiras sem pensamento instalar-se. São uns egoístas que não querem perder-se na concretização de uns outros egoístas. E fica ali, aquele apelo vago, gordo, a esfregar as mãos em câmara lenta, enquanto se tenta fingir que está tudo bem como está e como não está.
Mas é necessário. Estas linhas é que não são necessárias. Mas há os outros todos que as querem ler, e eu lá lhes fiz a vontade. Sou pelo menos simpático, em oferecer o facto de não poder oferecer nada. Para além de umas linhas sem nada. Para além de uns nadas sem nada.
Quais outros? Que fique patente que não me referia a alguém. Continuo nos moldes. Na genialidade. Longe de mim esperar alguma coisa de alguns outros verdadeiros. Pelo menos agora, que estou nos moldes. Nos moldes não há gente. Só um fingir que há autovalorização pela arte. E uma monotonia que não pára. Os outros são outros, não são esperanças. O que há é uma réstia de vontade de olhares sem indiferença, não tanto por questões de ego, essas então onde já vão? O passado são andorinhas que nunca voaram para lá do passado. Mais, isso sim, por questões de liberdade, de eliminar o absurdo que é a constante sensação de inadaptado, e que me remete ao silêncio em alturas de fazer barulho. Mas existem alturas de fazer barulho? Bom, existe o querer fazer barulho, e onde ele for um com o agora, é uma dessas alturas. Oh, isso é óbvio. Não gosto de dizer o que me é óbvio. Parece que tapo os olhos, que cedo a explicar algo que me está claro, à ilusão de me materializar num explicador, e não num "whatever's beyond this wall". Mas hoje sou um génio da colina, e daqui vejo tudo. Daqui vejo quem sou, quem não sou, e quem me estou para tornar, em linhas do papel, uma personalidade impressa e destacável, como os autocolantes dos pacotes de batata frita, com uns miligramas de sal (ilusão, claro.. especiarias só no mercado).
Genial. Sou genial. É engraçado ver tudo, pois ao menos ganha forma uma visão, na poeira que é a leitura aborrecida da escrita, do acto da escrita e das vontades envolvidas no acto da escrita. É engraçado... Deixa de o ser... E volta a ser, e vive-se no volta e meia, estímulozito de grandiosidade na introspecção, de completude, de ver tão bem definidos os contornos. Esquece-se uma pessoa até, do resto. Qual resto? Pois.
Mas sou génio, como uma sandes no prato descontextualizado, mas cada vez menos sandes e mais produto alimentar, e o absurdo do prato não interessa nada.
De repente não sei para onde me virar. Este texto entra no âmbito do insuficiente, bom, já lá estava. O insuficiente deixa de ser suficiente, é essa a frase. Farto de um abstracto sempre igual, voltar às horas? Mas agora estava perto de qualquer coisa, nomeadamente de estar próximo de qualquer coisa. Estava perto de fazer algum sentido, ou pelo menos de ter feito. As miragens... E agora falar em oásis... E meter uns adjectivos para me sentir mais eu, mais perto de transmitir a emoção de estar num oásis.. E constatar a repetição de quimeras minímas, e transmitir que estou farto, e palavras encadeadas num abraço a mim mesmo, fictício claro, mas que se foda. Morra o Dantas, que é também como o analista de óculos.
Pois sou um génio. É importante ser-se génio. Eu sou importante, já viram? Tenho a importância do que de facto sucedeu. Mas sucedeu alguma coisa? Estava quase a esquecer-me que não. Mas era um quase muito vago.. Pelo menos isto fica bem, voltar a afirmar o controlo da situação.
Ahahah. Rio-me de tudo. Estarei a achar graça, ou começo a rasgar a cortina que ainda me separava das mentiras insuficientes que preenchem a insuficiência do insuficiente que estava nas outras mentiras, mas que pretendiam ser consistentes com a mentira que sou eu próprio? Sei lá. Isto se calhar precisa é de uns tiros, de uns cavalos, e de umas naves espaciais. Não porque essas ideias me digam alguma coisa contudo. Mas o génio precisa de papéis não feitos exclusivamente de repetição. Vamos mudar para as mentiras misogéneas, que eu nem sei bem o que quer dizer, mas é mesmo aí que estou a querer chegar. Agora sim, é mentir a torto e a direito.
Mas não. Agora com isto ganhei aversão, da verdadeira. Isto é nojento.
Mas leve-se à letra, sim. Façam de mim um falso génio no fingir que estou a fingir que sou génio, em vez do eu que não está escrito. Nem aqui nem em lado nenhum.
Leve-se à letra toda esta treta. Vivam os génios, e já agora vivam as lâmpadas também.

quinta-feira, maio 26, 2005

Arpegiam-se desejos, o acompanhamento uma falsa crença em mim, até que a própria falsidade acredite, e no ciclo da vida se extinga.

.
.
.

Não sei outra vez de que falo,


não sei outra vez.

quarta-feira, abril 27, 2005

reflexão do irrealismo
como os milhares
o que precede é inexistente numa concepção sem existência
mas só aí
e o que vem a seguir sabe o que o precede, mesmo sem sabedoria
está-lhe nos traços.
há traços lindos no planeta. traços que revelam esta mesma consciência de que nada há a revelar.
sensações reais
de palpabilidade do irreal
e outras faíscas milenares esbatidas no fumo da fogueira da aprendizagem, desaprendizagem de afeições solenes e outros mitos
mas que hoje me apeteceu relembrar
sinónimos sempre reais, mesmo que apagados numa memória branqueada
vinhas do momentâneo, dêem fruto sem sumo, nem após

sábado, abril 16, 2005

It feels so fucking pointless again.
Yet I shall wait for the small moments that are not enough.
O mar amaina um pouco, quando sem pensamento se põem os olhos no horizonte.
Bah para tudo o resto.
Life in jail.. so fucking pointless.

domingo, fevereiro 20, 2005

Duas e tal da manhã. Algum descanso, mood de bocejo.. Ora já que não se faz nada, vamos lá olhar pra trás, hoje sem lirismos-complicações.

Tudo é uma prisão, quando se nasce, ou renasce, prisioneiro.
E se se fica farto, está-se farto.
Estas linhas são uma prisão. Porque não espelham, nada espelha, só reflecte para cima de mim o que nem sequer existe.

Pá, tens que ser tu mesmo. É só partir umas grades.
Yap.

Epa não é pêra doce mesmo. As pessoas são muito comportamentais.

Se às vezes posso dizer isto ou fazer aquilo, sei que para muitos isso quer logo dizer qualquer coisa, ou pelo menos, assim que qualquer sinal de insegurança esteja presente.

E há pessoas apressadas, em inquirir tudo, e descortinar tudo. E apressadas em formar conclusões irrevogáveis.

Estar à vontade é poder não ser aquilo que está formado na cabeça dos outros que eu sou. Poder cagar, poder estar calado quando e quanto me apetece, e dizer as coisas sem que estejam a ser encaixadas numa fórmula que diz quem é que eu sou em função disso. E é isso que me custa um pouco.

Não é uma questão de timing, de dizer coisas, nem de estar calado. É uma questão de tal não ter significado à partida. E é também uma questão de não ver toda a gente com pressa, a verem se tal confere ou não com aquilo que é de esperar do mundo, se encaixa nos protocolos certos, se lhes agrada o suficiente. Isto baseado em frases ou acções, coisas tão distantes da "verdade", do eu da mente pá..

Como é que possível fds, ter-se uma ideia tão simples da humanidade? Já viram a grossura dos livros de psicologia? Será por acaso? Para escoar as sobras da fábrica de papel? Dass nº 2.

Parecem dilemas de tótó, não parecem? Mas se calhar não são assim tão importantes para mim. E estão a sair tão a seco, porque sei 1001 coisas que podem estar a pensar. Todas elas erradas, ou então nem todas, fds. Estar-me-ei aqui a defender de algo? Se calhar estou. Tb não sei ao certo.

Mas pá, sei que estou farto de cortar caminhos no subconsciente.. por causa dessas coisas.. sei que tenho só é que dizer e pronto. Pá, mas sei que vou continuar a cortar caminhos várias vezes. Fds, eu não descobri nada disto agora.. É é tudo muito relativo.. demasiado para ter uma solução simples.

Certo é que, importante ou não, custa um pouco a dizer. Custa, acho que mais pela quantidade de tudo que já pensei em associação com isto, pela quantidade de cenas que já tirei disto tudo, conclusões e quê.. É isso que eu sinto negligenciado, quando ao dizer as coisas elas parecem não condizer comigo por saber que dá para estarem a pensar cenas sobre o que eu estou a pensar, sobre a minha identidade. Estarem a pensar coisas, conscientemente ou não.. e sentir-me reduzido por causa disso. Sentir que passei mais uma vez a imagem errada. Perder o à vontade à pala disso porque de repente há dois (ou mais) eus.. o verdadeiro e o(s) falso(s). E sentir-me por causa disso sem valor, mesmo quando sei que ficou mt por dizer, ou por passar, ou por fazer entender. É também como se essas coisas que eu não disse, as constatasse inúteis..

Por outro lado, eu sei qual é a verdade. E é aí que me tenho de agarrar. Posso não sabê-la expressamente sempre, e não preciso de o fazer. Não posso martirizar-me com "epa agora com este equívoco, com este ter-me expressado mal, não fiz passar a verdade certa, e não a consigo ter presente para dizer a coisa que mais se lhe parece". Nop, eu sei qual ela é, não preciso nem devo fazer esforços por ela..

Sei que já estou a adensar, e isso poderia ser sinal de estar a envolver-me demasiado nesta artificialidade de tar a escrever. Mas as cenas simples para mim soa-me sempre um bocado estúpido, não tanto a minha voz, mas a minha voz nos outros. Por causa do que já disse, por soarem sempre a erradas. Erradas face àquilo que eu realmente penso, e que eu realmente era (estou a ser) quando escrevi isto. E que eu realmente sou. Os mal entendidos, sempre os mal entendidos.

Eu já falo destas merdas e de mim nos meus posts desde sempre, se repararem bem.

Sei que para me soltar, preciso de não estar rodeado dessas pequenas merdas fragilizantes, leituras inválidas, tarem a tirar de mim coisas óbvias e redutoras. (E a maior parte das vezes não estão. É tudo complexo.)

Quando às vezes faço uma coisa parva qualquer, nem me importo de ser parvo. Desde que o esteja a ser. É muito simples e com isso posso eu bem. Tenho consciência das cenas.

Só os complexos é que me fodem. Só isso.

Tou a escrever com cansaço já, este tema puxa um bocado por mim.

Fiquem bem, inté [] *
distensões.txt
06-02-2005, 6.04 matina

partir

ir onde não fui? não.
saber esperar? em parte,
mas não no sentido de espera.

perder a noção de erro?
pois, saber o erro sem insistir em ter noção,
em ter noções.

alçapões.

o escuro não importa, mas o tactear comporta uma hesitação
da palma da mão
que se expande, que se agita, treme, treme,
qual parkinson subindo pelas partículas todas, pegando-se umas às outras
falta de preservativos no minúsculo do ser

conclusão, é o nascer de embaraços embaraçosos, pois nem o foram
antes de supostos,
é o enfrentar aquilo que não era para ter sido, o aborto espontâneo
a falta de crâneo
em redor da mente

no abstracto

ou não. são posturas, que passam, que corroem, e as horas que destroem
são mais que as horas-placentas
que remendam o casco
do eventual explorador vasco
que exista por explorar
mas não se trata de filosofar
isso é óbvio dentro do paradigma,
dificil é dissecar, imediatizar, subornar
o controlo do guarda em excesso
atirar-lhe armas de arremesso

cuidado, porque os tiros voltam
para trás
se conhecermos o conceito de ricochete

apague-se
a noção de conceito,
o conceito de noção
e estenda-se a mão
sem saber mais do que a força de ombro

...
tudo muito bonito.
nada de novo.
ora avançando,
...

em particular,
fugir às demoras
mas sem fuga
ou sem consciencialização de fuga
pelo menos.
há bastante para ser dito
mas quando não há
não haja
sem raiva,
e sem obsessão

mas há algo mais neste jogo
pressinto
..

sinto
..

chego a um ponto em que apagar é perder
é preciso inserir as coins
pinbolizar mais
mas caramba
há um medo forte
de que isto tudo pareça
um pinball

quando eu estou por cima,
afinal.

grunf
então devia estar a estar por cima
ou a treinar o equilíbrio
do lado de cima,
ou a furar os tectos
do lado de baixo
sem passar por carpinteiro
pois eu sou mais por cima
mas só quando lá estiver

até lá,
o comportamental por vezes
está longe, qual maçã no galho alto
e não estou a saltar
estou só a coisar, por vezes
e são coisas muito diferentes.
coisar é uma espécie de coito interrompido
no comportamental do eu,
neste caso.
saltar seria,
se eu fosse o salto,
e não me lembro
de costumar ser saltos

nem de usar saltos altos

mas alguém quer saber?
nem por isso.

então apenas,
não saibam
se não o querem
ou saibam, mas
saibam o errado
em saber.
ou não saibam.
hmm só que nem toda a gente
me é indiferente,
nessa óptica.
mas vá,
amanhã há pinball
com saúde,
de preferência

sem perder a razão do sem
mas sem ganhar também
where.txt
06-02-2005, 5.29 matina

where am i the fuck?
where the fun fuck is the
where where could be it,
thus waiting for never today
sometime tomorrow,
maybe.

travelling, dispatch
chá chá chá, mar
where the sea is
there are no roses
just sea
and sea, and sea,
you see?? just sea, see?
or can't you see?
i only see the lack
of light and shadow
and both, because
the world is made of pairs,
disturbingly dissident in the discipline of straightness
hatred, emotions, chaos, fire, bored out of hell
bored into the smell
of putrefaction of soul
of dispatching the hole,
the body as a whole,
the whole body of light.
no absence of presence,
just dissident feelings
of chaos, magma, fusion
of sad disorders.

shitty words, shitty non-words.

shitty worlds
ruína sem passado, um pouco só,
mas olha aí a desolação, pois não,
avariado rádio sem travão, um despiste
na fonética da céptica liberdade.
e mais um, e outro.

há o manter-se a meio gás, e há a fuga de gás
que escorre pelas janelas
para uma cidade sem plantas, oxigénio
que não sabe de onde aparecer
para se oxigenar
qual água sobre ferida,
palavras, hoje, cada vez menos semântica, sempre,
e sempre traços de fronteiras conhecidas.
olá senhor da alfândega, e vá-se foder, sim?
farto desse bigode postiço, dessas tranças
à lá aranhiço,
não o quero mais constatar, mas, mas

mas?
Nas malhas da rede.txt
30-1-2005, 5.05 matina

Vergar o limiar
da criatividade
criteriosa
recriação
do passo
passo para ali
pulo para
aqui
junto à distância
verdades
ou mentiras
muita farinha
em forma de palavras
forma para um bolo
que tem sabor a vazio
e que mordo
por favor
ao sistema
incolor da dor sem dor
por nada
na razão
sem razão
do nada
abstracto, abstracto, abstracto, abstracto, abstracto.
hoje caí no erro de pensar
que se abrisse esta janela do note pad
ia ter alguma coisa para
dizer
aonde
quem
como, porquê, essas merdas, ninguém quer saber disso pois,
é mais que sabido
né, é, refrasear
frases
fraseadas
pelo sistema
as redes e as
malhas
das redes
e parvoíce
quando tudo está certo
menos o estar errado
mesmo que esteja certo
à parte de estar errado
três pontinhos
inhos pequeninhos
a voz quando não existe põe-se a falar
sem falar
blé
nhé
sumo tropical num sem-fim de gelo sem fim
tropical no nome, mais que isso
é lá com as pessoas
que definem o significado dos trópicos e seus derivados
hoje é repetido e fraco-neutro
sem neutrão
no sentido do átomo-eu
e pouco o faz
mas quanto mais o faz
a serra de monsarraz?
o formulaico é hoje
para brincar com os dedos,
a sério
acreditarem ou foderem
se
desligo a
cena
nao desmotivo
já que nao motivo
motivo não houve
a sequência é nula
para lá do conceito
não é preciso dizer mais